Quarta, 03 Março 2010 14:32

Bombeiro dá dicas de primeiros socorros

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A maioria das pessoas não sabe o que fazer quando se deparam com alguém em situação de risco à vida. De acordo com os bombeiros, o melhor a fazer é pedir socorro.
 
Segundo o Sargento Harlei do Corpo de Bombeiros de Bebedouro a população precisa saber que não deve mexer na vítima, pois a ajuda pode se tornar um prejuízo para si e para a vítima e por isso dá algumas dicas:
 
Não mexa no acidentado! Uma movimentação errada com a vítima pode complicar a situação. Um caso muito comum e que a população comete um erro grave, de acordo com o bombeiro é acidente de trânsito envolvendo motociclista. Em todas as ocorrências, quase 90% delas, a vítima está sem capacete, por que alguém tirou. -Quando a pessoa cai no chão e bate a cabeça com capacete, é como se fosse uma bola, ela cai e pula. Na desaceleração da vítima a retirada pode provocar o que chamamos de -chicote- na cervical provocando lesões na coluna-, diz Harlei.
 
Ele afirma ainda que apesar de agravar o problema a retirada do capacete, não significa necessariamente que a pessoa vai ficar paralítica, mas manusear o capacete e a vítima pode fazer com que o fragmento ósseo pince a medula e isso pode prejudicar a vítima. 
 
Após a lei da obrigatoriedade de ter o kit de primeiros socorros no carro e o socorro às vítimas de acidente, foi feita uma outra, segundo o sargento Harlei, pois as pessoas passavam pelo local do acidente e colocavam o acidentado no carro sem conhecimento do que estavam fazendo. -Essa lei caiu, agora quando a pessoa passa e vê ela tem que pedir ajuda a pessoa especializada, o que não pode é passar direto e não prestar esse tipo de socorro-, fala. 
 
O bombeiro alerta ainda para outra questão. Algumas pessoas quando deparam com alguém em convulsão, por exemplo, acham que a outra está com a língua enrolada e enfiam a mão dentro da boca da pessoa e podem ser mordidas. -Já houve casos em que uma vitima teve crise convulsiva e a outra enfiou a mão dentro da boca para desenrolar a língua. A vítima deu uma mordida na mão de quem ajudava e a vítima tinha HIV. Uma mordida de uma pessoa em convulsão arranca um dedo-, esclarece. 
 
Mesmo em casos de afogamento onde o tempo é essencial para a vida de alguém, não é recomendado que pessoas que não entendam do assunto arrisquem o procedimento de ressuscitação cardio pulmonar ou respiração boca a boca. Segundo o sargento se a vítima for uma criança, por exemplo, muda tudo. Uma RCP (Respiração Cardio Pulmonar) numa criança é muito diferente de um adulto. -O tanto de ar que vou injetar num adulto, se injetar num bebê eu vou explodir o pulmão dele. A carga que vou por na massagem cardíaca não é a mesma também, senão eu esgarço o coração dessa criança, por isso que digo, tem que saber o que vai fazer senão piora-, afirma.
 
Harlei orienta para que a pessoa tenha calma e aguarde. Ele afirma também que não adiante pegar a pessoa, colocar dentro do carro e sair correndo para o hospital. -Apenas em casos onde o local é de difícil acesso, tipo fazenda, aí se tiver alguém com conhecimento, pode ser a única chance da pessoa-.
 
O sargento Harlei afirma que de regra geral, não só em Bebedouro, mas em todos os lugares por onde passou poucas pessoas têm conhecimento sobre primeiros socorros, mas que a ideia é dar orientação mesmo. -Não tem como resolver isso, por que não há como dar curso para a população inteira. Nós mesmos estamos sempre aprendendo novas técnicas para atualizar nosso conhecimento e ajudar a população-, finaliza.